Todo empresário tem problemas.
Talvez essa seja uma das poucas certezas que podemos ter quando decidimos empreender.
Falta de pessoas. Falta de dinheiro. Concorrência. Clientes difíceis. Impostos. Mudanças de mercado. Tecnologia. Economia. Tempo.
Resolvido um problema, normalmente aparece outro.
Recentemente ouvi o episódio 975 do Official BNI Podcast, apresentado por Ivan Misner, fundador do BNI, com a participação de Tom Fleming. E uma metáfora utilizada durante a conversa me chamou bastante atenção.
Imagine que você esteja parado em um campo.
A certa distância existe um grande muro representando a visão que você tem para sua empresa e para sua vida.
Mas entre você e essa visão existe outro muro.
O muro dos obstáculos.
O problema começa quando esse segundo muro se torna tão grande que você simplesmente deixa de enxergar aquilo que existe atrás dele.
E acredito que isso acontece com muito mais empresários do que imaginamos.
Quando o problema fica maior do que o propósito
Existe uma diferença enorme entre reconhecer um obstáculo e viver em função dele.
Todo empresário precisa olhar para os problemas. Ignorá-los seria irresponsabilidade.
Mas existe um momento em que algumas pessoas passam tanto tempo falando sobre aquilo que está errado que deixam de falar sobre aquilo que querem construir.
O mercado está ruim.
Minha equipe não ajuda.
Os clientes estão comprando menos.
Minha cidade é difícil.
Minha categoria é complicada.
As pessoas não valorizam meu serviço.
O problema é que aquilo em que colocamos nossa atenção começa a ocupar cada vez mais espaço na nossa percepção.
E Ivan Misner faz uma provocação muito interessante durante o podcast.
Quando alguém passa o tempo inteiro falando sobre os obstáculos, começa a se tornar um especialista neles.
Pense nisso.
Talvez existam empresários que conheçam melhor as razões pelas quais seus negócios não podem crescer do que as razões pelas quais podem.
Sabem explicar perfeitamente todas as dificuldades do mercado, mas têm enorme dificuldade para explicar onde querem chegar nos próximos três anos.
Isso é perigoso.
Porque obstáculos sempre existirão.
A visão é que determina se vale a pena atravessá-los.
Segure a visão, não os obstáculos
Durante a conversa, Ivan resume sua filosofia em uma frase simples:
“Hold the vision, not the obstacles.”
Segure a visão, não os obstáculos.
Ele lembra que havia obstáculos quando o BNI começou, em 1985. Existem obstáculos hoje e certamente continuarão existindo no futuro.
A questão, portanto, não é esperar que eles desapareçam.
É encontrar uma maneira de passar por cima, por baixo, ao redor ou através deles.
Essa reflexão serve para praticamente qualquer negócio.
Empresários que crescem não necessariamente enfrentam menos dificuldades.
Muitas vezes, simplesmente possuem uma visão suficientemente grande para continuar avançando apesar delas.
E aqui existe uma pergunta que considero importante:
A sua visão é grande o suficiente para fazer seus obstáculos parecerem menores?
Uma visão maior muda o comportamento
Existe outra parte da conversa entre Tom Fleming e Ivan Misner que considero ainda mais interessante.
Visão não serve apenas para nos inspirar.
Visão deveria mudar comportamento.
Se tenho uma visão clara de onde quero levar minha empresa, começo a tomar decisões diferentes.
Invisto diferente.
Uso meu tempo diferente.
Escolho melhor com quem me relaciono.
Faço coisas que talvez não fossem confortáveis no curto prazo porque consigo enxergar o resultado que estou buscando no longo prazo.
E isso também acontece no networking.
Tom Fleming comenta que muitos empresários entram no BNI com uma postura que poderíamos resumir em:
“Vamos ver o que acontece.”
E talvez esse seja um dos maiores erros que alguém possa cometer ao entrar em uma rede de negócios.
Porque “vamos ver o que acontece” transfere para o ambiente a responsabilidade pelo resultado.
É quase como entrar em uma academia, aparecer eventualmente, fazer alguns exercícios quando estiver disposto e esperar seis meses para descobrir se funcionou.
Não funciona assim.
Networking precisa fazer parte do plano
Uma frase de Fleming no episódio resume muito bem essa questão:
BNI não deveria ser simplesmente algo do qual você participa. Deveria fazer parte do seu plano de marketing.
Essa mudança de perspectiva é enorme.
Quando networking passa a fazer parte da estratégia da empresa, comportamentos que antes pareciam obrigações começam a fazer sentido.
Reuniões Um a Um deixam de ser apenas cafés na agenda.
Passam a ser oportunidades para alguém compreender profundamente seu negócio.
Convidar empresários deixa de ser apenas uma contribuição para o crescimento da equipe.
Passa a significar aumentar a quantidade e a qualidade das conexões disponíveis dentro da sua rede.
Gerar referências deixa de ser apenas ajudar outro membro.
Passa a fortalecer relações de reciprocidade, confiança e reputação.
Presença deixa de ser uma regra.
Passa a ser consistência de marca.
É exatamente a mesma atividade.
O que mudou foi a visão.
O nível de envolvimento acompanha o tamanho da visão
Tom Fleming propõe no podcast um nível bastante elevado de atividade: três reuniões Um a Um por semana, três referências por semana e dois ou três visitantes por mês.
O próprio Ivan pondera que três Um a Um semanais pode ser excessivo para muitos empresários e reforça algo que considero fundamental: networking é uma maratona, não uma corrida de cem metros.
Ele afirma que ficaria extremamente satisfeito se os membros realizassem quatro reuniões Um a Um por mês e cita dados indicando que esse nível de atividade pode dobrar a quantidade de referências dadas e recebidas.
Independentemente do número, o ponto mais importante da conversa não está na meta.
Está na intenção.
Tom usa uma expressão que gosto muito: estar “no campo, e não nas arquibancadas”.
Existem empresários participando de grupos de networking.
E existem empresários utilizando networking estrategicamente para construir seus negócios.
São coisas completamente diferentes.
Construa uma visão também para seus relacionamentos
Talvez essa tenha sido minha reflexão favorita do episódio.
Normalmente criamos metas para faturamento, expansão, patrimônio e carreira.
Mas raramente criamos uma visão para nossos relacionamentos profissionais.
Com quem quero construir uma relação estratégica?
Quem precisa conhecer profundamente meu negócio?
Que tipo de profissional eu gostaria que estivesse na minha esfera de contatos?
Quem eu gostaria que pensasse imediatamente no meu nome quando uma determinada oportunidade surgisse?
E, principalmente:
Que valor eu preciso gerar para que essas pessoas também enxerguem vantagem em construir uma relação comigo?
Fleming sugere que cada conversa dentro do networking deveria ajudar a construir na mente do outro uma visão do que seria possível se vocês trabalhassem juntos.
Isso muda completamente uma reunião Um a Um.
Você deixa de pensar apenas:
“Como faço essa pessoa me indicar?”
E começa a pensar:
“O que poderíamos construir juntos?”
É uma pergunta muito mais poderosa.
Talvez seu problema não seja o tamanho do obstáculo
Empreender continuará sendo difícil.
Networking continuará exigindo tempo.
Relacionamentos continuarão exigindo consistência.
Clientes continuarão dizendo não.
Pessoas continuarão frustrando nossas expectativas.
E certamente novos obstáculos aparecerão.
Talvez, portanto, a solução não seja gastar toda nossa energia tentando diminuir os obstáculos.
Talvez seja aumentar a visão.
Porque quando sabemos exatamente onde queremos chegar, os problemas não desaparecem.
Eles simplesmente deixam de ocupar todo o horizonte.
E existe uma diferença enorme entre essas duas coisas.
No final, talvez a pergunta mais importante para qualquer empresário seja bastante simples:
Você está se tornando especialista nos obstáculos que estão diante de você ou na visão que existe depois deles?
Eu já escolhi em qual dos dois quero me especializar.
Referência: Este artigo foi inspirado pelo episódio 975, Your Vision to Success, do Official BNI Podcast, publicado em 26 de agosto de 2026, com Ivan Misner e Tom Fleming. O episódio apresenta o modelo de visão e obstáculos de Fleming e discute sua aplicação aos negócios, à vida e à participação no BNI.
Qual é a visão que você tem para o crescimento do seu negócio?
Networking pode deixar de ser apenas uma atividade da sua agenda e se tornar parte da estratégia utilizada para construir essa visão.
No BNI, empresários desenvolvem relacionamentos de confiança, ampliam suas redes profissionais e aprendem a gerar oportunidades de negócios de maneira estruturada e consistente.
Se você quer descobrir como o networking estratégico pode fazer parte do plano de crescimento da sua empresa, conheça o BNI Noroeste Paulista.
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Respostas de 3
Excelente! Reflexão que se faz necessário de tempos em tempos!
Perguntas importantes para uma reflexão que pode gerar novas percepções e pensamentos.
Excelente! “Tudo aquilo que a mente do homem pode conceber e acreditar, ela pode alcançar.” Napoleon Hill!