Imagine a seguinte situação.
Você contrata um colaborador para sua empresa.
Investe tempo para treiná-lo. Explica os processos, acompanha seu desenvolvimento, esclarece suas responsabilidades e deixa muito claro o que espera dele. Você acredita que ele pode dar certo e faz questão de ajudá-lo a crescer.
Chega o dia da primeira entrega.
Ele falha.
Ao invés de assumir a responsabilidade, apresenta uma série de justificativas. Estava sem tempo. Surgiu um imprevisto. Outras prioridades apareceram. Algumas desculpas parecem até razoáveis.
Você resolve dar um voto de confiança.
Conversa, faz um realinhamento, reforça a importância do compromisso e ele garante que, dali em diante, tudo será diferente.
Algumas semanas passam.
Ele falha novamente.
Novas justificativas. Novo pedido de compreensão.
Mais uma conversa. Mais uma oportunidade.
Então acontece pela terceira vez.
O momento da decisão
Nesse momento, uma pergunta inevitavelmente surge:
Até quando vale a pena continuar acreditando em alguém cujo comportamento nunca muda?
Perceba que o problema nunca foi errar.
Todo mundo erra.
O problema é repetir o mesmo padrão, sempre protegido por uma boa justificativa.
Quando o problema deixa de ser o outro
Agora vem a parte desconfortável deste exercício.
O colaborador da história é você.
O único funcionário que você nunca demite
Pense por alguns segundos.
Quantas promessas você fez para si mesmo e não cumpriu?
- Começar a dieta.
- Treinar com regularidade.
- Ler todos os dias.
- Usar menos o celular.
- Organizar as finanças.
- Fazer networking de forma consistente.
- Iniciar aquele projeto que está parado há meses.
Cada uma dessas decisões nasceu de um motivo forte.
Você sabia exatamente por que queria mudar.
Mas bastou surgir o primeiro obstáculo.
“Hoje estou cansado.”
“Essa semana está corrida.”
“Na segunda-feira eu recomeço.”
“Hoje não vai fazer diferença.”
Depois veio outra desculpa. E mais outra.
Curiosamente, fazemos exatamente o que aquele colaborador fazia.
Construímos narrativas para justificar aquilo que simplesmente deixamos de fazer.
Existe apenas uma diferença.
Quando é outra pessoa se justificando, nosso senso crítico funciona perfeitamente.
Quando somos nós, acreditamos em quase todas as histórias que contamos.
Talvez esse seja um dos maiores sabotadores do crescimento.
Certa vez ouvi uma frase que nunca mais esqueci:
“Pessoas que são excelentes em criar desculpas raramente são excelentes em qualquer outra coisa.”
Pode soar dura.
Mas existe uma razão simples para isso.
Sempre haverá uma justificativa disponível para proteger nosso ego.
Sempre haverá um motivo aparentemente aceitável para permanecer exatamente onde estamos.
A raiz do problema
A maioria das pessoas acredita que precisa desenvolver mais disciplina.
Eu não tenho tanta certeza.
Acredito que o verdadeiro problema seja outro.
Identidade.
Você não faz algo de forma consistente porque está motivado.
Você faz porque passou a se enxergar como alguém que faz aquilo.
Quem treina há anos não acorda todos os dias cheio de motivação.
Quem lê diariamente também não.
Quem construiu um negócio sólido certamente enfrentou inúmeros dias em que não tinha vontade de continuar.
A diferença é que essas pessoas deixaram de negociar com a própria identidade.
Elas não pensam:
“Será que hoje eu treino?”
Elas pensam:
“Eu treino.”
Parece um detalhe.
Não é.
É uma mudança completa de identidade.
Toda mudança parece estranha no começo
Nosso cérebro foi programado para economizar energia.
Ele prefere repetir padrões conhecidos, por isso mudar dói.
No começo, tudo parece artificial.
Você precisa lembrar.
Precisa insistir.
Precisa lutar contra a vontade de voltar ao velho padrão.
É exatamente nesse período que a maioria desiste.
Pense naquele dia em que você acordou cedo para treinar.
Estava frio, e você resolveu ficar na cama.
Naquele momento pareceu apenas uma decisão pequena.
Mas talvez ela nunca tenha sido sobre aquele treino.
Talvez tenha sido sobre ensinar ao seu cérebro que sua palavra é negociável.
No dia seguinte ficou mais fácil negociar novamente.
Depois mais uma vez.
Até que desistir virou hábito.
É exatamente assim que a mediocridade se instala.
Ela nunca chega fazendo barulho. Ela entra silenciosamente.
Uma desculpa de cada vez.
Quando o hábito vira identidade
O interessante é que o processo também funciona ao contrário.
Depois de praticar um comportamento por tempo suficiente, ele deixa de exigir esforço consciente.
Ele passa a fazer parte de quem você é.
É por isso que quem treina costuma dizer:
“Preciso treinar.”
Para quem nunca viveu isso, parece exagero.
Mas quem conhece os benefícios sente falta.
Não porque alguém mandou.
Porque aquela pessoa simplesmente se tornou alguém que treina.
Perceba como isso muda tudo.
Ela não faz exercícios.
Ela é uma pessoa que treina.
E o que isso tem a ver com Networking?
Tudo.
Networking também é um hábito.
E hábitos só geram resultados quando sobrevivem ao período em que ainda parecem desconfortáveis.
Vejo empresários desistindo do BNI todos os anos.
E o curioso é que muitos deles tiveram resultados.
- Fizeram negócios.
- Conheceram pessoas extraordinárias.
- Desenvolveram habilidades de comunicação.
- Ampliaram sua rede de relacionamentos.
Mesmo assim, desistem.
Quando perguntamos o motivo, quase sempre ouvimos a mesma resposta:
“Estou sem tempo.”
Mas será mesmo?
A empresa continua funcionando.
Os compromissos continuam existindo.
A rotina permanece praticamente igual.
Então talvez o problema nunca tenha sido tempo.
Talvez tenha sido identidade.
Existe uma enorme diferença entre estar no BNI e participar do BNI.
Quem apenas está no BNI enxerga uma reunião às 6h30 da manhã.
Uma obrigação semanal.
Alguns cafés.
Algumas atividades para cumprir.
Quem realmente participa enxerga outra coisa.
Enxerga um sistema.
Uma forma diferente de construir confiança.
De gerar oportunidades.
De desenvolver relacionamentos.
De fazer negócios.
Ele deixa de pensar:
“Preciso ir à reunião.”
E passa a pensar:
“É assim que eu construo meu negócio.”
Essa mudança muda tudo.
Não por acaso, o slogan do BNI é:
“Mudando a Forma como o Mundo Faz Negócios.”
Perceba que ele não promete mais vendas.
Não promete mais referências.
Não promete mais faturamento.
Tudo isso é consequência.
O que ele propõe é muito maior.
Propõe uma mudança na maneira como o empresário enxerga o próprio negócio.
Uma mudança de identidade.
E identidade não se constrói em um dia.
Constrói-se repetindo comportamentos até que eles deixem de parecer um esforço.
Uma última reflexão
Sempre que você abandonar um compromisso consigo mesmo, faça uma pergunta simples:
Se eu fosse meu próprio colaborador, eu continuaria empregado?
Essa pergunta elimina praticamente todas as desculpas.
Porque o problema nunca foi aquele treino perdido.
Nem aquele livro que você não leu.
Nem aquele Um a Um que ficou para depois.
Nem aquela reunião à qual você decidiu não ir.
O verdadeiro problema é o padrão que você está reforçando.
Cada vez que você aceita uma desculpa, ensina ao seu cérebro que sua palavra vale menos do que seu conforto.
O sucesso raramente é decidido em grandes momentos.
Ele é construído em centenas de pequenas decisões que ninguém vê.
É justamente quando ninguém está olhando que você decide quem está se tornando.
E talvez o colaborador menos confiável da sua empresa nunca tenha trabalhado para você.
Talvez ele apareça todos os dias no espelho.
A boa notícia é que, diferente daquele funcionário, você não precisa demiti-lo.
Precisa apenas parar de aceitar as desculpas dele.
Porque empresas não crescem primeiro.
Empresários crescem primeiro.
E, quando isso acontece, as empresas crescem junto.
Tudo começa quando você aprende a honrar a palavra mais importante que existe:
A palavra que você dá para si mesmo.
Quer transformar a forma como você faz negócios?
O BNI acredita que grandes empresas são construídas por empresários comprometidos com o aprendizado contínuo, o desenvolvimento de relacionamentos e a geração de confiança.
Mais do que participar de reuniões, fazer parte de uma Equipe BNI significa desenvolver uma nova maneira de construir negócios por meio de relacionamentos genuínos e indicações qualificadas.
Se você deseja conhecer essa metodologia e descobrir como ela pode fortalecer sua empresa e sua rede de contatos, visite o BNI Noroeste Paulista.
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Respostas de 8
Maravilhoso artigo para refletir e indicar para leitura.
Muito valiosa pra mim, vai me ajudar a crescer mais como empresário e me comprometer ainda com o BNI. Obrigado!
Perfeita reflexão! Num mundo de imediatismo que estamos vivendo, a constância é algo a se trabalhar! E buscar um porquê forte pra se manter no foco, mesmo quando não houver motivação!
conteúdo rico em reflexões
Parabéns pelo texto André.
Gostei muito da pergunta “ Se eu fosse meu próprio colaborador, eu continuaria empregado? “
Excelente reflexão
Simplesmente fantástico , é assim mesmo que eu vejo .
O BNI é um braço a mais que temos que usar a nosso favor .
Porque que dá recebe . E a lei do retorno .
Gratidão BNI .
Artigo completo… para ler e reler várias vezes!
Excelente reflexão!!