Que o mundo está mudando numa velocidade assustadora e difícil de acompanhar, todos já sabemos.
Todo dia uma nova funcionalidade em uma IA, toda hora uma atualização em um app. Mas e as relações humanas?
Claro que elas também estão passando por transformações, só que não da forma como você imagina.
Em um mundo cada vez mais mergulhado em tecnologia, a confiança entre as pessoas nunca foi tão essencial para se destacar num mercado e crescer um negócio.
Ter uma página no Instagram, um site, fazer anúncios: isso deixou de ser diferencial competitivo. A IA nivelou o jogo. Sou testemunha de que, com alguns agentes e os prompts certos, qualquer pessoa constrói anúncios, designs, sites e até softwares completos.
Em uma semana, apresentei o Claude para meu professor de inglês. Dois meses depois, ele tinha site pronto, um app de IA para ajudar os alunos a aprender, plataforma de pagamento integrada e uma série de recursos que, no passado, levariam meses de briefing e reuniões intermináveis. Ele fez tudo sozinho, sem equipe, só com seu tempo e uma assinatura de IA. Detalhe: nunca programou na vida. Foi ele, a IA, uma ideia e muito esforço de aprendizado.
Em outro caso, um amigo criou um avatar dele mesmo que simula entrevistas de podcast. Gravou alguns vídeos e áudios, e a IA reproduz todo o conteúdo com qualidade de cinema, poupando horas de trabalho.
A democratização da produção de conteúdo
Num passado recente, produzir conteúdo era restrito a quem tinha verba para isso. Hoje, ficou fácil produzir conteúdo dos mais diversos formatos. É positivo, mas também vai inundar a internet de conteúdo. E o que acontece a partir daí?
Eu sou da época da TV aberta e por assinatura. Por mais interessante que fosse a programação, no segundo em que chamava “Intervalo Comercial”, era automático: trocávamos de canal. O excesso de propaganda nos fazia “zapear” até a programação original voltar. Muita gente continuava vendo, mas boa parte do público que aquela publicidade queria atingir simplesmente não assistia.
O ser humano se adapta
Já deve ter ouvido que “as pessoas adoram comprar, mas odeiam que vendam para elas”. É verdade. Toda vez que um vendedor fica me seguindo numa loja, oferecendo algo, eu abandono o estabelecimento. Quando me sinto livre para explorar sem ninguém de olho, compro muito mais. Sei que o vendedor está ali, vou procurá-lo quando precisar. Caso contrário, sigo explorando e comprando.
O mesmo já acontece nas redes sociais. Da mesma forma que trocávamos de canal nos comerciais, hoje trocamos de tela ou postagem quando entra um anúncio. Se for repetitivo, piora.
Alguns podcasts que eu gostava de ouvir saíram da minha lista quando percebi que todo o conteúdo era planejado para me vender algo. Lamentável. Em um episódio, um dos apresentadores chegou a dizer que, se alguém se cadastrasse numa lista de interesse, ele iria “infernizar” a pessoa até ela comprar ou negar a compra.
O que eu tenho contra vender? Nada. Acredito que vendas é o fim de qualquer empresa, não importa o setor. Todos os outros departamentos só existem para servir o de vendas, porque sem vendas não há receita, e sem receita não há financeiro, administrativo, marketing.
Mas eu quero liberdade para percorrer meu funil de compra no meu tempo, não sob pressão.
E como vender sem ser inconveniente?
Acredito que a produção de conteúdo será cada vez mais democratizada. E uma coisa vai definir o jogo: autenticidade. Gravar os próprios conteúdos, criar designs e campanhas mais personalizadas e menos invasivas. Não olhar para o lead com cifrão nos olhos na primeira oportunidade.
Nesse contexto, os relacionamentos verdadeiros vão colocar os profissionais em destaque.
Segundo pesquisas (Nielsen) de marketing de referência, cerca de 77% das pessoas descobrem novos produtos e serviços a partir de seus contatos*. Isso significa que você pode, e deve, promover seu produto por diversos canais, mas nada é tão poderoso quanto aquele amigo empresário que, num churrasco, comenta despretensiosamente como seu produto mudou a vida dele.
Os da Nielsen, também apontam que até 92% das pessoas confiam mais em recomendações de amigos, familiares e parceiros de negócio do que em publicidade convencional*. Isso não significa abandonar tudo e viver só de relacionamento. Significa colocar isso como prioridade na sua agenda de trabalho.
Com a IA, você pode copiar tudo: estratégia, design, copy. O que não se compra é um relacionamento de confiança com alguém que trabalha pelo seu sucesso enquanto você trabalha pelo dele.
Lembra do meu professor de inglês? O site, o app, a plataforma de pagamento, tudo isso a IA ajudou a construir em semanas. Mas os primeiros alunos vieram porque confiavam nele, não porque o site era bonito. E o amigo do podcast? As pessoas assistem porque é ele ali, de verdade, não porque a produção tem qualidade de cinema.
A tecnologia decide o quão rápido você constrói. A confiança decide se alguém vai atravessar a porta.
E você: tem investido tempo somente em tráfego ou também em relacionamento?

Respostas de 3
A melhor forma de vender, é a permissão de escolha ao comprador.
Grande Verdade. As IAs são muito importantes e podem muito, mas as referências por indicação seguem sendo essenciais.
Também acredito que estar conectado e usar tudo que a IA fornece é importante. Mas o relacionamento nunca deixará de existir